Cultura
Entrevista com o ambientalista Ronipeterson, defensor do Rio Verde
O ambientalista e defensor do Rio Verde é hoje o entrevistado do Café Mutuca. Conheça sua trajetória que o liga a causa em defesa ao rio, uma das decisões mais significativas em sua vida.
Despertado pelo cuidado com a natureza, Ronipeterson resignificou seu propósito de vida a cuidar do Rio Verde. Rio que nasce da serra da Mantiqueira e corta 31 municípios, incluindo Varginha e Elói Mendes, até desaguar em Furnas.
Em entrevista ao Café Mutuca, Roni conta que sua luta é salvar o Rio Verde. “Vejo o Rio Verde como o amor da minha vida”, comenta. Seu interesse em trabalhar com questões ambientais surgiu, quando viu descendo o Rio Verde, dois sacos de lixo e se incomodou com a poluição. A partir daí sua história com o rio começou. Foi quando ele redefiniu seu propósito de vida, o propósito de defender o Rio Verde.
Desde 2017 Roni faz expedições pelo rio de caiaque, coletando todo lixo que encontra. São mais de 300km/h, gastando em média de 15 a 18 dias para fazer todo o trajeto. “Nem sei como eu consigo fazer isso. Quando termino o trajeto, eu digo feliz, Deus me deu forças para fazer isso.”
Além disso, a primeira e maior barreira flutuante ecológica do Brasil, foi inventada por ele, construída na Ponte dos Buenos em Varginha. Hoje está em desuso mas quando estava em funcionamento, Roni comenta que retirava muito lixo do rio.
Roni já deu palestras em escolas e várias entrevistas. Ele diz que esse reconhecimento pela causa é muito importante. Nessa caminhada, várias pessoas já se juntaram em solidariedade pela luta ambiental. A luta é também para que as pessoas continuem nessa jornada em salvar o Rio.
“É uma luta cansativa, mas não pode parar.”
Também estiveram ao seu lado, 2 cãozinhos da raça Pincher. O mascote Verde que já não o acompanha mais, e hoje a Redinha, que está presente nas aventuras mais recentes.
Hoje, Roni está construindo uma casa flutuante com banheiro ecológico. A casa está sendo feita de forma sustentável, com material reaproveitado.
Café Mutuca: Da onde veio a ideia de construir a casa flutuante com banheiro ecológico?
Ronipeterson: Sempre foi um sonho de monitorar a água do Rio Verde. A casa está sendo feita com material reaproveitado, e o banheiro para provar para as pessoas, que não há necessidade de contaminar o lençol freático, jogando esgoto na natureza, dentro do rio. Eu construí uma fossa de evapotranspiração que impede influentes de esgoto caírem dentro do rio.
Café Mutuca: O que na sua opinião precisa ser feito para que a sociedade conheça mais a respeito de sustentabilidade, preservação do meio ambiente e cuidado com os rios?
Ronipeterson: Acredito que com ações verdadeiras, utilizar modelos sustentáveis, viver de forma sustentável, como a geração de energia solar, reaproveitamento de água, reaproveitamento de materiais que seriam descartáveis. A sociedade precisa aprender que muitas coisas não deveriam ir ao lixo pois podem ser aproveitadas, e assim diminuir o consumismo.
Café Mutuca: Que dica você dá para as pessoas cuidarem da natureza?
Ronipeterson: Observar como está nosso mundo, a crise hídrica que estamos passando, nascentes secando, observar os efeitos da não preservação do meio ambiente. É preciso urgentemente nesse momento, ter uma dedicação e amor grande pelo meio ambiente, porque é o meio onde vivemos.
Café Mutuca: Hoje você percebe diferença na quantidade de lixo desde quando você começou os trabalhos pelo rio? Você acredita que as pessoas se sensibilizaram mais?
Ronipeterson: Nesses 5 anos de expedições, pouca coisa mudou, realmente ações que beneficiam o rio verde foram poucas, a quantidade de lixo aumentou, as cidades crescem cada vez mais, continua muito lixo pelo Rio Verde. As pessoas se sensibilizam com a causa mas falta também, cobrarem do poder público, ministério, vereadores e das indústrias das cidades em que moram. Ainda falta muita coisa a ser feita para que realmente aconteça ações benéficas em favor dele e para que a voz do Rio Verde seja ecoada.
Em 2022 acontecerá a sexta expedição. No dia 21 de março, Roni já começa a navegar da cidade de Passa Quatro. Ele comenta que esse ano terá algumas surpresas com essa expedição. O objetivo é sempre continuar pra que a voz do Rio Verde não seja silenciada, destaca.
Cultura
VIAGEM DE ELÓI MENDES À APARECIDA
Eis que aponta no fim da rua o farol,
4 horas da manhã, estrelas no céu,
Do único veículo naquele momento,
Era o tão esperado carro de aluguel.
Bom dia, bom dia, malas no bagageiro,
O dia será longo, 12 horas de viagem,
E não esqueçam essa sacola amarela,
Não pode faltar nada nessa bagagem.
Varginha ficamos a esperar o trem,
Que demorou um pouco a chegar,
Desci e encostei o ouvido na linha,
Me disseram que dava pra escutar.
Já dentro do trem e acomodado,
Virei o banco da frente para trás,
Para ficar mais bem instalado,
Sempre olhando para meus pais.
Começou o “fuk, fuk” da locomotiva,
E o “piuí” da famosa Maria Fumaça,
Agora vamos contando as estações,
De cada cidade por onde ela passa.
Flora, Três Corações e São Tomé,
Conceição do Rio Verde, Soledade,
Aí o sol já estava alto e quente,
Minha fome já virou ansiedade.
O chefe já passou com seu boné,
Picotando as nossas passagens,
Deu boas vindas para a família,
Nos desejando uma boa viagem.
Então eu perguntei pela matula,
A barriga já começava a roncar,
Mãe me deu pastel de mandioca,
Aí matei quem queria me matar.
Que horas vamos chegar no túnel?
Eu perguntava quase toda hora,
“Após Passa Quatro e Pé do Morro,
Estamos bem perto, não demora”.
“Fechem os vidros” avisa o chefe,
O túnel, era uma grande façanha,
Divisa entre Minas e São Paulo,
Passando por baixo da montanha.
Em Cruzeiro fim do primeiro trecho,
Descemos da Rede Mineira de Viação,
Esperamos o Comboio Rio/São Paulo,
Um novo Trem de Aço de alto padrão.
Cruzeiro a Aparecida uma horinha,
As 16h desembarcamos na estação,
Os “cata clientes” nos abordavam,
Mas meu pai, não era bobo não.
Já tínhamos nosso destino certo,
Era o Hotel Brasil já acostumado,
Onde Seu Alfredo era o gerente,
Já estava tudo bem combinado.
Após instalados, as novidades,
Muitas lojas com quinquilharias,
As vitrines cheias de santinhos,
Ali bem em frente à hospedaria.
Os fotógrafos “lambe-lambes”,
Mil novidades eram exibidas,
Televisão eu nunca tinha visto,
Vendo pela primeira vez na vida.
Depois fomos até à Igreja Velha,
A nova ainda não era construída,
Assistir à nossa primeira missa,
Agradecer à Senhora Aparecida.
As luzes para mim estranhas,
Com uma claridade diferente,
Uma forte iluminação branca,
As tais lâmpadas fluorescentes.
Já mais à noite, fomos ao parque,
Vimos uma coisa muito esquisita,
Mulher que tinha corpo de aranha,
Mas com uma feição muito bonita.
Visitamos a Conga, mulher Gorila,
Que me deixou muito assustado,
Quando no fim da transformação,
Escapou e veio para o meu lado.
Dia seguinte outra aventura,
Fomos de bonde até Guará,
Visitamos a gruta de Lourdes,
Onde o povo ia também rezar.
Retornamos no terceiro dia,
Eu já estava mesmo cansado,
Levando algumas recordações,
E despertadores encomendados

Cultura
BAIRROS DO MUNICÍPIO DE ELÓI MENDES
Situada no topo de uma colina,
Lá está minha pequena cidade,
ELÓI MENDES terra querida,
Sempre me deu muita felicidade.
Seu território urbano é simples,
Mas a zona rural é interessante,
Subdividida por muitos bairros,
Com nomes muito intrigantes.
Os nomes estranhos dos bairros,
Sempre me chamaram a atenção,
Tem alguns que eu até entendia,
Outros, mesmo com esforço, não.
Tem um local chamado ONÇA,
Não posso imaginar o por quê,
Havia lá umas onças pintadas?
Alguém pode me esclarecer?
BUENOS, PINTOS e PEREIRAS,
Eu posso imaginar os fatores,
Devem ter sido nomes dados,
Por seus primeiros moradores.
ÓLEOS, JARACATIÁ e PEROBAS,
São outros fáceis de entender,
Nomes de madeiras e plantas,
Que naqueles locais devem ter.
Também AÇUDE e CERÂMICA,
Muito fácil de ser explicado,
Coisas feitas pelos homens,
Que ali estavam instalados.
BARRA, bairro muito popular,
Ricos fazendeiros habitam ali,
Gente que gosta de trabalhar,
Junção dos rios Verde e Sapucaí.
SALTO é um bairro pequeno,
E me trás muitas lembranças,
Ali nadávamos e pescávamos,
Nos bons tempos de criança.
Deve o nome a uma cachoeira,
Que no passado ali existiu,
Depois um dia desapareceu,
Com o represamento do rio.
Com a advinda da represa,
A cachoeira foi eliminada,
Perdeu a sua exuberância,
E deixou de ser visitada.
Em alguns períodos de seca,
Ela, às vezes vem se mostrar,
Mas a chuva enche a represa,
Ela some e demora a voltar.
MORCEGO, não encontrei nada,
Mas é uma região muito querida,
Onde a vida toda frequentei,
Lá onde minha mãe foi nascida.
Nunca vi nenhum bicho por lá,
O povo de lá não é preguiçoso,
Não tem nada que justifique,
Esse codinome tão horroroso.
SERRINHA o próprio nome diz,
Formação geológica da terra,
Com muitas pedras irregulares,
Vulgarmente chamada de serra.
Alguns nomes que descobri,
Tem influência de Portugal,
MALHADA e MALHADINHA,
Minha saudosa terra natal.
Produzem vinhos e azeites,
São lugares interessantes,
Influenciaram minha terra,
Tão longínqua, tão distante.
E para minha grande surpresa,
No rótulo do vinho MALHADINHA,
Adivinhem o que eu encontrei?
O desenho de uma vaquinha.
Nasci me criei na MALHADA,
Vivi dez anos de minha vida,
MALHADA soa como música,
Por mim, jamais esquecida.
MOMBUCA palavra Tupi Guarani,
Significa tipo de abelha ou raça,
Elas não armazenam mel em favos,
Elas colocam em pequenas cabaças.
AQUENTA SOL também de Portugal,
Encontrei nos sonetos de Camões,
O Calor do Sol que a cada um cabe,
É o significado dessas expressões.
TRIUNFO a fazenda do Barão,
Até hoje ostenta o belo nome,
Lugar marcante do município,
Por ter sido do grande homem.
Antes o nome era escrito com PH,
E ainda hoje é muito respeitado,
Tamanho e peso do belo nome,
E de quem por ele fora batizado,
Significa sucesso ou grande êxito,
Tem tudo a ver com o venerado,
Que sempre foi um bom político,
E após, como Barão condecorado.
POCINHO é um bairro novo,
Fica bem pertinho da cidade,
Deve ter sido um temporal,
Que nomeou tal localidade.
SÃO DOMINGOS outra incógnita,
Não sei por quê é chamado assim,
O Santo tem origem europeia,
Isso é tudo que eu descobri.
CÓRREGO RICO origem portuguesa,
Tem tudo a ver com o nosso ouro,
Que n’algum córrego encontrado,
Daqui depois, levavam o tesouro.
COBERTORES não faço ideia,
De onde esse nome surgiu,
Mas o bairro ainda lá existe,
Próximo do encontro dos rios.
CAPETINGA é palavra indígena,
“Capim branco” é o significado,
Provavelmente lá existe muito,
E por isso, esse nome foi dado.
CAFUNDÓ esse nome estranho,
Significa “lá no fim do mundo”,
Na verdade não é tanto assim,
Perto do MORCEGO, bem no fundo.
PINDAÍBAS, falta de dinheiro?
Nesse caso aqui, não é não,
Trata-se de árvore frutífera,
Nome de um bairro da região.
A PINDAÍBA produz um fruto,
Muito parecido com o Araticum,
Frutifica em Março Abril e Maio,
Se um dia puder, vou comer um.
Ainda tem o Bairro da BOMBA,
O bairro das PITANGUEIRAS,
PINHÃO ROCHO no canto sul,
E a rica região dos MOREIRAS.
A BOMBA manda água pra caixa,
Dá pitangas nas PITANGUEIRAS,
PINHÃO ROXO dá muitas pinhas,
Perto da fazenda dos MOREIRAS.
SAPUCAY o rio mais caudaloso,
Pesquisando também descobri,
De onde vem esse nome estranho,
Significa GRITO em Tupi Guarani.
Fazenda do OLHO D’ÁGUA,
Nome dado a uma linda região,
Deve-se a uma grande nascente,
Que banha parte daquele chão.
Certamente esqueci alguns,
Faz 50 anos que de lá saí,
Se alguém puder me ajudar,
Manda que acrescento aqui…

Cultura
Audiência Pública em Elói Mendes vai discutir problemas com fornecimento de energia
A Câmara Municipal de Elói Mendes convida toda a população para participar de uma Audiência Pública que tratará da falta de energia elétrica na Comunidade da Barra e dos demais problemas relacionados aos serviços prestados pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) em todo o município.
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O evento acontecerá no dia 20 de fevereiro de 2025 (quinta-feira), às 16h, no Clube Municipal de Elói Mendes. A Audiência tem como objetivo ouvir a população, debater soluções e cobrar providências da concessionária de energia.
Moradores da Comunidade da Barra têm relatado frequentes quedas de energia e dificuldades no atendimento prestado pela CEMIG. Além disso, outros bairros e regiões do município também enfrentam problemas similares, afetando comércios, serviços e a qualidade de vida da população.
A presença da comunidade é fundamental para que as reivindicações sejam formalizadas e encaminhadas às autoridades competentes. Participe e ajude a buscar soluções para melhorar os serviços de energia em Elói Mendes.
Fonte: Câmara Municipal de Elói Mendes
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